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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

!_!_! Coroa explosiva do meu Grito !_!_!




Aqui jazem alguns que por muitas vidas amaram,e por ousadia não socaram dedos dentro de luvas e assim deixaram pingar em odor forte, o suor e sangue em forma de evidência.

Suor e sangue que evidenciam os fatos em imagem forte e som falho. Sem nem escutar uma ou mais batidas do coração -

que sem bater, bombeava mentira e tesão fingido para dentro de uma caverna escura -

que tinha odor de gozo de mulher, o tato era molhado, porém, doía como um hematoma roxo de criança. Estava ali e incomodava, mas um dia, quem sabe, a dor sara?

Por que fingir saber a língua quando a caverna vadia gozava um mundo novo?


!_!_! Coroa explosiva do meu Grito !_!_!


À mulher de cinza, a quase morte... Como odeio o teu sangue, sua escama maldita e fingida!

Mera mulher que veste um preto encardido. Não vê que veste um cinza sujo e não preto? Assim não me dá medo, apenas me perturba.

Mas antes que o Tempo em meu pescoço caia ao chão, eu lhe estupro a lealdade e como o seu perdão. Antes que o o Tempo quebre o chão...

À outra que está cega com escamas vaginais lhe cobrindo a vista.. Você é quem não sabe do que sou capaz por ferir o meu amado. Eu lhe caço a alma até o máximo de onde um dia chegou o seu amor.

Eu escalo todo o amor até o alto e lá de cima eu lhe finco uma Espada e te lembro até onde um dia você chegou por causa de um porco. Que sangre perdão e salve-o do caixão em que ele adormece, por um Tempo.

Por: Fernando Fernando.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Sobre a Morte não se Filosofa






desde criança eu admirei os "bonés" de meu avô. ofereciam-lhe um ar europeu, belo, elegante. usava-os com frequência, mesmo já surrados pelo tempo, gastos pela experiência. eram sua identidade visual. todos que o viam, que o esperavam, que o conheciam já sabiam de sua careca coberta. lembro-me sempre de dois deles, um para o dia-a-dia, outro para ir à igreja, seu local preferido, depois de sua casa, sua velha casa, na freguesia do ó, em são paulo.

hoje, ao ver seus bonés, no sofá da sala de minha mãe, onde meu avô passou seus anos finais de vida, enchi meu coração de saudade, esse sentimento único e inexplicável, uma mistura de alegria e tristeza, de plenitude e de vazio. admirei-os por um tempo, recobrei a memória de eventos já empoeirados nas prateleiras das vivências pueris. depois, voltando à infância, como criança mesmo, coloquei um deles sobre a cabeça. surpreendi-me com o tamanho reduzido da boina, sempre lembrada por mim como um símbolo da grandeza discreta de meu avô.

enfim, tomei-as para mim, um desejo velho, da juventude ainda em curso. e, enquanto isso, sentei-me para assistir ao final da abertura da copa do mundo fifa 2010. mais uma vez, ainda tomado pelo contato com as boinas, lembrei-me de meu avô. de como assistia-mos, todos, os jogos do brasil na tevê. era efetivamente um evento diverso, único, como cada copa o é, em si mesma. nunca mais esquecerei a final de 2002 contra a alemanha. os gritos, os gols de ronaldo, a emoção de ver o cafu levantando a taça. coberto pela emoção, sei, hoje, neste exato momento, que a copa de 2010 será, claro, única, todavia a primeira sem meu avô. assim, terá um sabor nostálgico, até um tanto melancólico. porém, ainda assim é uma copa do mundo. confesso aguardar com ansiedade.

e é justamente esse o grande desafio quando se encara a morte tão de perto. é uma ruptura, enorme, às vezes insuportável demais em uma rotina tão ausente de significados como é a nossa, nesta tal modernidade. entretanto, seguir a vida é necessário, até desejável, não queremos morrer para nós mesmos. mas como seguir adiante quando se perde alguém que significava tanto? como retomar as rédeas do trabalho, quando a morte bate à porta, mesmo já aguardada há tempos?

ao fazer tais perguntas a mim mesmo (e refazê-las todas, inúmeras vezes), percebi que sobre a morte não existe filosofia. sobre ela não há reflexão teórica coerente. ela simplesmente não faz sentido algum, é o absurdo em si mesma. ela não é. indefinível e inexorável, deixa-nos com a mais simples das realidades: seguir a vida. a morte vai matar você. aproveite cada sanduíche. aprecie cada lance dos jogos da copa do mundo. a vida é curta demais, sabe...