segunda-feira, 7 de setembro de 2009




Já escrevi sobre o infinito... Assim como já o fizeram diversos literatos, filósofos, músicos, angustiados de plantão. O infinito nos atrai, porque nos sentimos seres incompletos, sempre. A ausência de nós mesmos clama por um infinito que acaba a cada dia, e se renova. Mais uma vez, tecemos poesias como máquinas de lavar louças, quase sem perceber que construímos o infinito a cada nova manhã.

Dia após dia, portanto, enchemo-nos de nós mesmos, como que restaurando o que há de vir, e que ainda não é, mas já está lá. Viajamos, trabalhamos, concorremos pela melhor costela ao molho! Somos nós mesmos, com medo, esperança, fidelidade, estranheza, fisionomia, reflexos no espelho... E compartilhamos isso tudo com quem quiser nos acompanhar, afinal, provar o que somos é cansativo e monótono. Esse jogo do vai-e-vem é sempre tão previsível, competitivo...

Somos o que somos. Somos o que seremos. Somos o que bem entendemos, nessa nossa concha que chamamos vida. Viver é bom sim! E ninguém tem lá muito a ver com o que escolhemos para preencher esse verbo chamado centelha de vida!

[Texto escrito em homenagem ao aniversário de Luis Miguel Zanin. Feliz Aniversário! Eu estava lá...]

Postado por Diário Halotano.

domingo, 6 de setembro de 2009


Como um menino saído de um livro do Kafka, contemplo a rua pela janela do quarto. Não há aqui nenhum senhor que me condene o ato, dizendo-o preguiçoso ou pouco produtivo. E, da janela, vejo muitos passarinhos. Há ainda alguns, persistentes, heróis da sobrevivência, sobrevoando a copa de pequeninas árvores citadinas.

É quase um bálsamo olhar o que restou da vida natural, em uma cidade que cresce até em suas bordas periféricas. Não nos faz esquecer os problemas e dores, entretanto nos conecta com algo maior do que nós, livre e solto; alegre e bonito.

Foi mais fácil trabalhar hoje, com o canto dos passarinhos, felizes pelo fim da chuva, revigorante, mas doída nas asas e na pele.

Que outros domingos como este venham me abraçar, como me afagou a alma o dia de hoje. Que mais e mais pássaros voem na copa das pequeninas árvores. É uma delícia vê-los! A contemplação é tão rara nos dias corridos da semana toda, que me surpreendi ao saber que ainda possuo essa habilidade viva em meu ser. E, é verdade, a contemplação salva!

Postado por Diário Halotano.

domingo, 23 de agosto de 2009

O Jonalismo dos Patrões




Olá leitores. Depois de muitas conversas com um urso no quarto ao lado, reproduzo aqui o editorial de Mino Carta para a Carta Capital Nº 559, intitulado: "O jornalismo dos patrões - Até o mundo mineral sabe que quem acusa tem de provar. A mídia nativa não sabe". O editorial pode ser lido no
site da Carta Capital
, assim como em sua edição 559. Segue abaixo, na íntegra:


A mídia nativa tem, às vezes, o poder de me espantar. Ou, por outra, me obriga a meditar sobre a serventia do jornalismo e as responsabilidades que daí decorrem.

Leio o primeiro editorial da página 3 do Estadão de terça 11, intitulado “Mais um escorregão de Dilma” (quais foram os anteriores?), a ministra-chefe da Casa Civil que “o prestimoso presidente (...) ungiu como sucessora em potencial”. Miram os obuses em Dilma Rousseff, contra Lula, portanto. A ministra teria pedido, ainda em 2008, à então secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, para agilizar a auditoria do Fisco nas empresas da família Sarney.

O editorial foi altamente representativo do comportamento de toda a mídia em relação ao caso e lhe concedo a primazia em nome da antiguidade e da importância das baterias. Decretam os senhores midiáticos que dona Lina era, e é, o rosto da verdade, e o Estadão, naquele texto simbólico, alinhavou à larga as razões do seu veredicto. Atendia às conclusões gerais dos demais integrantes da comunidade jornalística, a bem do pensamento dos frequentadores do privilégio e do ódio de classe.


“Mais um escândalo, enfim, que o lulismo tentará abafar.” Últimas palavras, famosas, do editorial do Estadão. A leitura forçou-me a perguntar aos meus insubstituíveis botões: serei eu um lulista ao tentar uma análise isenta do episódio, conforme o dever, creio, de todo jornalista? Por exemplo, uma análise que parta da avaliação honesta das atitudes de dona Lina e de dona Dilma. Era do conhecimento até dos paralelepípedos da antiga rua Augusta, célebre artéria paulistana hoje asfaltada, que quem acusa deve provar.

Ocorre que dona Dilma nega in totum a acusação de dona Lina, e não estamos a lidar com as alegres comadres de Windsor. Proclama o Estadão: ao demitir a secretária da Receita, seu superior, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, teria confessado cumprir ordem que “veio de cima”. Disse mesmo? Ou é dona Lina quem diz? E por que, de todo modo, em cima estaria dona Dilma?

A mídia, seus patrões e editorialistas, colunistas, perdigueiros da informação, não se permitiram e não se permitem exames de consciência em ocasiões múltiplas e diversas. Cabe, desde 2003, semear pedras no caminho de Lula e, desde 2007, de sua ungida a “sucessora em potencial”. Vale então outra pergunta: a favor de quem?

O governo Lula, na opinião de CartaCapital, não foi aquele que esperávamos, mesmo assim saiu-se melhor do que os demais na pós-ditadura, e bastariam a eleição e a reeleição do ex-metalúrgico para assinalar um divisor de águas na história do País. Não é por acaso que o presidente é o mais popular desde a fundação da República. Aos olhos da maioria pouco importa o que Lula faz, importa quem ele é.

Em contrapartida, dona Dilma não é ex-operária. Se for candidata, os demais concorrentes também não serão. Observem, contudo, como é apresentada a possível, ou mesmo provável, candidatura da ex-ministra e senadora Marina Silva. Ganha o transparente, simpático apoio da mídia, como a incentivá-la a tomar a decisão final. Por quê? Para significar um contraponto à candidatura Dilma e gerar uma profícua confusão na área.

Carta Capital sempre manifestou profundo respeito e apreço pela senadora Marina, e lamentou sem meias palavras sua saída do governo. Trata-se, na nossa opinião, de uma verdadeira dama em luta pelas melhores causas. Na Presidência, inalcançável, acreditamos, nas condições atuais, honraria o Brasil. Não se enganem, entretanto: sua candidatura será trombeteada por quem se empenha pelo retorno do tucanato.

Quanto à presença de um passado mais ou menos burguês (não é o caso da senadora) no currículo dos possíveis sucessores de Lula, este é, para todos eles, um ponderável motivo de preocupação.

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domingo, 16 de agosto de 2009




Este é o primeiro texto no apartamento novo. E, como não poderia deixar de ser, estou escrevendo da janela do escritório, olhando a noite, as nuvens no céu ainda em fim-de-tarde. Sou um observador, gosto de olhar o que se passa alheio à minha vontade, indiferente, aleatório. Pessoas, carros, vozes, aviões, sons, gols, jardim, crianças, ruídos indecifráveis, cheiros e sensações. Estas, porém, só minhas, únicas, "incompartilháveis".

Tem sido, o ano de 2009, muito bom. De tantos adjetivos possíveis em nossa língua, a locução "muito bom" parece caber como luva de veludo, confortável e bela. Novos empregos, novo carro, novo apartamento, vida nova com a Elise. Muito bom!

E sigo observando. Esperando. Motivando. Atuando. Simplesmente, hoje, mais do que nunca, sigo seguindo, em um gerúndio que vem a calhar. Eu mesmo, assim como minha escrita, sou uma arte do infinito, sempre um pedaço faltando, todavia sempre em movimento. Boa noite.

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quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Escrever é Arte da Vida Inteira




A escrita é uma arte da vida inteira. Ouvimos histórias, lemos romances e contos, estudamos teoria literária e praticamos. Construímos cada palavra como quem constrói uma casa, como quem pinta um quadro, como quem esculpe em pedra sabão... Tijolo a tijolo, cores em cores, com ferramentas especiais, para não destruir uma peça inteira.

E a cada palavra nova, uma frase em oração. A cada linha, ponto, exclamação, aprendemos algo novo de nós mesmos. A escrita nos tira o que está ali, latente, porém interior. Imagino-a como um fotógrafo do inconsciente, revela nossas inquietações, todavia, o faz em palavras elaboradas, refinadas e polidas. Nem sempre escrevemos o que sentimos de verdade, mas sempre sentimos a verdade do que escrevemos, sempre!

A escrita é uma arte da formação, nunca se completa, mesmo quando chega ao leitor. É, acho, um círculo com um pedaço faltando. Ou um sinal de infinito, com um pedaço faltando. Inexiste uma obra completa, mesmo sob o ponto de vista do autor (afinal, as leituras alheias são infinitas mesmo). Uma obra é um marco, que, por ser histórico, é transitório, passageiro, verdadeiro por um período, que não pode ser contado.

É uma arte da continuidade, por assim dizer, aprendemos enquanto executamos. E aprender é humilde, aprendemos de nós mesmos, todavia, fundamentalmente, dos outros. A escrita é uma metáfora do círculo, do infinito; porém é, sob esta referência, também figura da louça na pia. Lavamos sempre, e ela estará ali, sempre também, até que morremos e paramos de escrever, nunca mais lavamos a louça. E, ambas, continuarão seus caminhos, a escrita e a louça, lidas e lavadas, por olhos e mãos alheias... Afinal, o infinito da escrita não acaba, não é mesmo? Terá sempre um pedacinho faltando...

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sexta-feira, 17 de julho de 2009


Imagem: http://pixs.media.mit.edu/pictures/show/12058


Sacode as nuvens

Sacode as nuvens que te poisam nos cabelos,
Sacode as aves que te levam o olhar.
Sacode os sonhos mais pesados do que as pedras.

Porque eu cheguei e é tempo de me veres,
Mesmo que os meus gestos te trespassem
De solidão e tu caias em poeira,
Mesmo que a minha voz queime o ar que respiras
E os teus olhos nunca mais possam olhar.

(Sophia de Melo Bryner Andresen)



Quando pensamos sozinhos sobre integridade, ou quando aconselhamos a alguém: "seja honesto consigo mesmo", geralmente não associamos a esta ideia uma outra, a de "história de vida". Apesar de estarmos todos vinculados pelo contexto severo das relações em forma de mercadoria (cf. Marx) e pela lógica do espetáculo (cf. Marcuse), somos indivíduos com trajetórias diversas e, portanto, com maneiras suavemente distintas de manifestar ao outro nosso entendimento acerca da retidão moral que nos serve de base.

Todos nós, com exceção justa daqueles que sofrem com algum grau de amnésia, somos seres construídos por nossas memórias. Memórias recentes, esquecimentos intencionais, traumas de infância, felicidades, dores, angústias, prazeres, imagens inventadas nas nuvens... Nossa bagagem memorial, como um espelho quebrado, ao chão, é uma coleção de cacos, que juntamos e separamos, conforme a vida se apresenta por debaixo de nossos pés. E, é claro, cada um de nós tem sua própria mala de lembranças.

Assim, no momento exato em que precisamos ser honestos conosco mesmos, ou com o outro, utilizamos nossas "roupas da memória", colocando em xeque nossa integridade, ou nossa compreensão do que ela seja. Ao menos, é isso que fazem os reflexivos, afinal, aqueles movidos por impulsos não refletem, simplesmente atuam em um palco que sempre parece pequeno demais para o seu self.

Decisões, como já se cansou de repetir o clichê, são feitas todos os dias e, sem ao menos percebermos, são resultados de um mapeamento cerebral (quanto maior a área geográfica, mais preciso é o resultado, por incrível que pareça) muito eficaz de nosso conjunto memorial. Nosso cérebro, fora de nosso controle, executa uma varredura daquilo que aprendemos, do que já deu certo, ou errado, de nossas convicções religiosas, de acontecimentos alheios, etc. Ao final, tomamos uma decisão baseada em critérios essencialmente memoriais, mesmo quando uma situação completamente nova nos é apresentada pela realidade circundante.

Não e à toa que muitas de nossas descobertas (leia-se epifanias) nos vêm em situações críticas, nas quais somos confrontados com os maiores desafios de nossa integridade e honestidade. Em contextos desafiadores, nossas memórias dançam com nossos receptores cerebrais, causando ondas decisórias importantíssimas, que, por sua vez, marcarão nossa história de vida e, é claro, nossas decisões futuras.

Nesse sentido, somos nós mesmos o espelho quebrado ao chão. Divididos em memórias tão complexas quanto a quantidade de cacos a nossa disposição. Nunca conseguiremos juntar os pedaços de nós mesmos, pois nossas memórias sempre se apresentarão aos estilhaços, embaralhadas, esperando o momento certo para se manifestarem. Essa é a razão de nossa angústia essencial: o preço da complexidade do espírito humano.

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segunda-feira, 13 de julho de 2009




Eu estou em Férias. O Diário Halotano também.

Até Agosto.

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quarta-feira, 24 de junho de 2009




São numerosas as metáforas sobre as crianças. Ingenuidade, pureza, início, novidade, futuro, inocência, frescor, primavera, flores, atividade (hiperatividade), paz, sinceridade, formação, transformação. São palavras positivas, carregadas de um sentido de "por vir". O presente parece irrelevante, impreciso, alheio. O futuro é importante, como que se o que há ainda não é, vai ser.

Vivemos como infantes, muitas vezes. Esperamos o que virá, e não nos sabemos no que já existe. O presente se torna, assim, um tempo agônico em que não se é, no qual a identidade parece não se formar por completo e o desejo romântico do "colhe o dia" não se realiza. Vivemos encalacrados em atividades cotidianas, como se fossem elas os momentos mais importantes da vida. Todavia, ao voltarmos para casa, no caminho ainda do lar, percebemos que não realizamos. Simplesmente reproduzimos movimentos simples de um cotidiano viciado, como quem puxa um cigarro sem pensar no ato em si mesmo. Somos, sem perceber, ou sofrendo na percepção, autômatos.

O que parece dolorido de pensar - robôs humanos repetidores - piora, quando estendemos a metáfora para nossas intimidades, amores, paixões, desejos, sonhos e expectativas. Vivemos em suspensão... Como que sem presente. Esperando um futuro que, aparentemente, no seio de nossa imaginação, está formado, planejado, construído, pronto. Mas não se realiza, e não nos realizamos. Até conseguimos compreender intelectualmente os passos necessários para que sejamos aquilo que queremos ser, porém, estáticos, autômatos, robóticos, não agimos de acordo... Apenas seguimos o caminho costumeiro. Como que conectados em um banco de dados de ações imutáveis e comportamentos programados previamente.

É por isso que eu digo, a felicidade, em nossa sociedade moderna (ou pós, sabe-se lá), inexiste É um estado de euforias passageiras, que não se cumprem. Nossa estagnação ante o cotidiano organizado (quem dera fosse absurdo, mágico, fantástico) não permite a fruição do ser, o carpe diem, como se queira... Vivemos, mas não fruímos. Vivemos, mas não experimentamos. Lemos romances de papel, mas não narramos. Publicamos fotos na internet, mas não rememoramos...

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quinta-feira, 18 de junho de 2009




Já disse e repito: coleciono metáforas inúteis.

Certa vez, conversando com minha própria conciência disfarçada de interlocutor feminino virtual no MSN, elaborei um esboço do que seria uma nova filosofia: a metáfora do "si mesmo", a metáfora do self. A vida deveria ser encarada como, ela mesma, uma metáfora; tornando-se, assim, uma mímica dentro da realidade; uma ficção viva dos seres.

Todavia, como uma catapora (mais uma metáfora, a melhor maneira de não dizer nada), a vida coça. Todavia, ao coçar a vida, ou deixar que ela coce você, ela infecciona. E infecções são o início da morte. O vislumbre dela, sem esperança, contudo. Paradoxalmente (estou usando esta palavra fora do eixo), o ato mesmo de coçar é o único que poderia aliviar o peso de contrair a maldita catapora. Coçar-se alivia. Coçar-se infecciona. A vida já se virou em metáfora da escravidão.

E, assim, a poesia morre, no meio do botão da catapora que coça sem poder. A vida arde, pois ninguém sobrevive mais do que um dia com catapora sem se coçar inteiro, dos pés a cabeça, e infeccionar cada parte do corpo nu. Com ardor, a coceira se transforma em aflição, em angústia de estar vivo! Agônica, a vida se veste de catapora e nos atormenta como uma bolinha vermelha que não nos revela a verdade das origens, sim o leito do repouso eterno, que nunca vem... Esperamos a morte, que nos pararia de coçar com a vida, mas a noite não vem, não nos refresca, mantemo-nos vivos e além!

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segunda-feira, 15 de junho de 2009




Eu gosto de fotografias do céu. Meu pai, aprendiz de fotógrafo na juventude, também sempre gostou. Lembro-me de não compreender o sentido de algumas de suas fotografias, gentilmente debruçadas em sua mesa de escritório, na velha casa da aclimação. Hoje, mais experimentado, entendo o prazer que ele sentida em foliar aqueles papéis brilhantes revelados.

É uma sensação de infinito, incompreensível e universal. É bonito, confortante ver o céu. As luzes e sombras, projeções e fantasmagorias que o céu proporciona, faze-me descansar. É bom, é suave. Eu gosto, e suspiro...

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terça-feira, 9 de junho de 2009


iPhone.


Gostaria de postar a foto do meu próprio, mas deu preguiça de ostentação...

Estou sem assunto, muitas resoluções pendentes, carentes de poder decisivo de minha parte, posto que não dependem de mim... Em breve, espero, foto e comentário de nosso apartamento novo.

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segunda-feira, 1 de junho de 2009


Maxtor - Mande no meu endereço. Se você não sabe o meu endereço, também não deve saber que ele está prestes a mudar.


Meu HD externo parou de funcionar. Não sei qual o problema, mas todas as configurações, arquivos e rascunhos deste blog estavam lá, ou estão lá, dormentes, como eu. Deste modo, não sei o que serão de minhas postagens por aqui, mais um tempo de insônias e pausas...

Quem souber de um bom e confiável recuperador de dados de HDs, avise-me, aliás.

Por hora, é isso. Pausa, mais uma vez. Para voltar mais limpo e mais preciso. Até.

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quarta-feira, 27 de maio de 2009


Foto: Fabricio Remigio


Playing: Nick Stokes at CSI - Grave Danger.
It was Christmas in Las Vegas, when the locals take the town
Theresa hit a streak and laid her waitress' apron down

In her room after New Years at the Thunderbird Hotel
On the back of a winning keno card they found this living will
My friends get all my money -- may they always have enough
To my enemies I leave my luck -- only maybe not quite so tough
The dealers get my "bones" -- may they keep 'em on a roll
The Devil's had my body, now may the Good Lord take my soul
So do not try to find me, for I will not be found
I'm gonna keep this stake alive -- I'm headed out of town

Era uma noite de natal. Não uma qualquer, com árvores, neve importada e papai noel da coca-cola. Sim uma noite de natal em Las Vegas, quando os locais tomaram a cidade... Minha estada era no Imperium Motel, enquanto esperava para filmar a mais grandiosa noite da vida de Las Vegas, não da minha.

As apostas eram altas, todavia nenhum estrangeiro podia participar delas. Somente os locais - estranhos em terra familiar, no cotidiano absurdo do deserto continental - eram permitidos nos jogos noturnos.

Todos os principais cassinos, desde o Mandeley, o Montecarlo, até o Tropicana, ou mesmo os da Strip estavam tomados pela loucura dos locais! Todavia avisaram-se que o Imperium Motel, nunca antes envolvido no mundo da jogatina inconsequente, abria suas portas aos estrangeiros desavisados. Eu e meus amigos fomos para o subsolo e jogamos a noite toda!

Theresa quebrou a banca no poker, gorjeteou sua garçonete preferida e foi se arrebentar no 21. Jorge usou toda sua capacidade matemática para rodopiar muita grana na roleta. E eu? Humildemente lançava moedas em caça-níqueis brilhantes e barulhentos. Ganhamos muito naquela noite, no único cassino ilegal de Las Vegas, onde os estranhos podiam apostar alto.

No meio da noite passeamos por Las Vegas. Dirigimos um utilitário pelas vias do Condado de Clark, afinal somos fãs de CSI. Passamos pela Strip, Lake Mead Boulevard, Tropicana... Os locais nos encontraram ali, roubaram nosso carro, nossa grana e foram-se... Muito depois eu soube que os locais eram amigos de meus "amigos". "Meus amigos levaram todo o meu dinheiro - que eles tenham sempre o suficiente. Aos meus inimigos eu deixo minha sorte - que ela somente não seja tão dura".

Era natal em Las Vegas, os locais tomaram a cidade. Os locais me tomaram os amigos. E eu mantive no alto minhas apostas.

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terça-feira, 26 de maio de 2009




Playing: Jim Halpert.

Vivemos em uma sociedade hipócrita. Sim, acabo de afirmar um clichê, e daí? Somos tão submersos em ideias pseudo-éticas, que a lei da convivência se tornou o "politicamente correto". A proteção da espécie, tão recorrente em noções éticas de relacionamento humano, transformou-se em um corporativismo preconceituoso velado e falso!

Relacionamo-nos como que em espectro, com imagens fraturadas em um espelho que reflete a nós mesmos: mentirosos, falsos, hipócritas. Falamos o que não é nosso. Repetimos e balbuciamos palavras prontas de proteção do diferente, uma espécie de auto-proteção às avessas, que apenas simula uma ética já morte há tempos...

Seguindo este raciocínio, até a comédia perde o sentido. As inversões e misturas entre temas antagônicos, típicas da situação cômica, são logo substituídas por simples ataques frontais ao "politicamente correto".

É duro, mas é assim mesmo. Entretanto, como diria Michael Scott, "isso foi o que ela disse"...

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quinta-feira, 21 de maio de 2009




Qual poderia ser o propósito dos plásticos pendurados, em uma tarde de sol, no verão de 2008, na seção posterior do refeitório de uma grande universidade particular da cidade de São Paulo?

Seriam eles coberturas de mesa? Seriam proteção das camas dos dormitórios? Seriam refletores solares? Capas de cadernos gigantescos? Fonte de reciclagem? Cobertores transparentes, que evitam as carícias secretas dos casais apaixonados e proibidos? Matéria-prima de estufas encubadoras, capas de chuva ou bolsas plásticas super na moda?

Sinceramente... Não faço a mínima ideia do que sejam os plásticos pendurados no varal da seção posterior do refeitório de uma universidade grande da cidade de São Paulo... Todavia, sua colocação elaborada e com aparência de rotina de trabalho me chamou a atenção. Aquelas pessoas da foto, do meu instante fotográfico espião, dão a nós uma impressão de dedicação para com os plásticos transparentes. Eles, os plásticos, são importantes, brilham. O balde azul, próximo ao ponto de fuga da imagem, indicam que os plásticos foram cuidadosamente limpos, estranho... Afinal, para que tanto cuidado, já que nem mesmo sei o uso dos tais translúcidos pendurados? É difícil compreender uma ação empreendida sobre um objeto desconhecido, desvinculado de nossa realidade, ou de nossos sentimentos mais comuns.

Acho que é assim que muitos de nós nos sentimos, quando nos deparamos com o cotidiano trabalhista de nossos chegados, meros conhecidos ou estranhos. Causa-nos espécie a realidade do "outro". Não nos é familiar a dedicação que muitos de nossos semelhantes humanos oferecem às suas atividades corriqueiras...

O que seriam "alunos"; "planilhas"; "redes integradas de informação"; "aulas"; "reuniões"; "pautas"; "resultados"; "arte"; "propaganda"; etc. etc. etc. Aquilo que não é "nosso", é esquisito, meio plástico pendurado na seção posterior do refeitório de uma universidade particular de São Paulo, não é?

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terça-feira, 19 de maio de 2009


Foto: Marcelo Gomes


"Splendid Isolation"

Warren Zevon

I want to live alone in the desert
I want to be like Georgia O'Keefe
I want to live on the Upper East Side
And never go down in the street
Splendid Isolation
I don't need no one
Splendid Isolation
Michael Jackson in Disneyland
Don't have to share it with nobody else
Lock the gates, Goofy, take my hand
And lead me through the World of Self
Splendid Isolation
I don't need no one
Splendid Isolation
Don't want to wake up with no one beside me
Don't want to take up with nobody new
Don't want nobody coming by without calling first
Don't want nothing to do with you
I'm putting tinfoil up on the windows
Lying down in the dark to dream
I don't want to see their faces
I don't want to hear them scream
Splendid Isolation
I don't need no one
Splendid Isolation
Splendid Isolation
I don't need no one
Splendid Isolation


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quarta-feira, 13 de maio de 2009



São Marcos



Maaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaarcos!!!.

Após 10 anos desde a antológica vitória sobre o Corinthians, nas quartas-de-final da Libertadores de 1999, o goleiro Marcos é, mais uma vez, o herói alvi verde! Isso sem lembrar a Copa mais perfeita já realizada por um goleiro, a de 2002.

Muitos pitaqueiros, jornalistinhas, torcedores rivais e até traidores palmeirenses já haviam enterrado o Marcos, após algumas contusões e o rebaixamento do time. Todavia, como quem nunca morre, o nosso goleiro mostrou quem é Marcos e, mais uma vez, justificou o título de "Santo".

Muitos vivas ao Marcos! Que o time siga firme na Libertadores. E que venha o Boca, queremos vingar os anos de 2000 e 2001!

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domingo, 10 de maio de 2009




Não sei exatamente o porquê, porém, a cada novo ano, somos "paparicados" em um mesmo dia, que se repete, sem pular um sequer... É o tal "dia do seu aniversário". Recebemos flores, parabéns, eu te amo, abraços, mensagens virtuais de pessoas que não conhecemos direito, e assim vai...

Contudo, neste ano de 2009, um ano revelador, de sucessos, bênçãos divinas, a tradição do "feliz aniversário" mudou! Contrariando o costume, recebi bolo, salgadinhos, brigadeiros (e que brigadeiros!) e coca-cola uma semana depois do meu aniversário. Criamos uma nova tradição!

Obrigado, terceirão do Colégio Bom Retiro, pela festa "surpresa". Um beijo enorme a todos vocês! E que possamos continuar a criar novas tradições! Adorei.

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Nem tudo é uma metáfora, portanto, para o estudo de meus alunos, abaixo, encaminho um resumo da aula sobre a 2ª Guerra Mundial:

O post com o resumo sobre a 2ª Guerra mundial deve ser visto em meu outro blog: http://aulaimpressa.wordpress.com.

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sexta-feira, 1 de maio de 2009




Nascer de novo, a cada ano, é muito perturbador.

Sinto-me como Murilo Mendes:

Reflexão nº 1
Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonho
Ninguém se banha duas vezes no mesmo rio
Nem ama duas vezes a mesma mulher.
Deus de onde tudo deriva
E a circulação e o movimento infinito.

Ainda não estamos habituados com o mundo
Nascer é muito comprido.


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